Especialistas discutem diploma de jornalista

Carine Andrade

Ranulfo Bocayuva, diretor do Grupo A TARDE, reforça a postura da empresa de contratar diplomados

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 17 de junho, que suspendeu a obrigatoriedadedo diploma de jornalista para o exercício da profissão, afinal de contas, mudou em que a realidade das redações? Esta indagação, que tem permeado principalmente o universo dos estudantes de jornalismo, motivou a coordenação do curso de jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge) a promover, nesta quarta-feira, 12, o debate intitulado Qual é o valor do diploma de jornalismo agora?
Na mesa mediada pelo coordenador do curso, Bernardo Carvalho, estavam a presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado da Bahia (Sinjorba), Kardé Mourão, o diretor- executivo de jornalismo do Grupo A TARDE, Ranulfo Bocayuva, e o professor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) Sérgio Mattos.
Bernardo Carvalho afirma que a instituição – que tem cerca de 300 alunos no curso – não chegou a dimensionar possíveis desistências por causa da decisão do STF, pois as matrículas estão abertas. Entretanto, afirma, muitos alunos têm expressado preocupação e questionado se não é melhor mudar de curso. “Existe ansiedade, angústia e inquietação muito grandes”, avalia Carvalho.
Desdobramentos – Ele elencou desdobramentos da decisão judicial que ainda precisam ser mais profundamente debatidos, a exemplo das consequências legais, sindicais e acadêmicas. Do ponto de vista legal, ainda não se sabe se os concursos públicos continuarão exigindo o diploma. Por fim, sob o aspecto acadêmico, o acórdão do STF pode levar ao fechamento de algumas faculdades e trazer maior exigência às que sobreviverem.
Ao falar da esfera empresarial, Ranulfo Bocayuva fez questão de destacar a postura do Grupo A TARDE, que é a de manter a exigência de diploma para a contratação de profissionais. “A formação técnica é importante, mas não suficiente para atender ao mercado, que está se expandindo, e não encolhendo. Uma formação complementar agrega valor. Teremos que, progressivamente, aceitar também que pessoas talentosas com diploma superior de áreas de ciências humanas, por exemplo, possam adquirir conhecimentos técnicos específicos de reportagem e edição para trabalhar em ambientes de redação integrados e multimídia”, aponta o diretor-executivo de jornalismo.
A presidente do Sinjorba, Kardé Mourão, fez uma veemente defesa do diploma e criticou a desregulamentação com o fim da Lei de Imprensa. “Os argumentos usados foram frágeis. A exigência de diploma não agride a liberdade de expressão”, destacou Kardé.
Diretrizes – Integrante da comissão formada em fevereiro pelo Ministério da Educação para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de jornalismo, o professor Sérgio Mattos traçou um panorama histórico e destacou os principais eixos do relatório elaborado pela comissão e que deve ser entregue ao ministro da Educação semana que vem.
O documento sugere, entre outros aspectos, o estágio não-remunerado, como forma de evitar a exploração de mão-de-obra pelas empresas, e indica diretrizes para elaboração dos currículos.

Matéria publicada no A TARDE de hoje.
Créditos da foto: Haroldo Abrantes / Agência A TARDE
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