Por um Twitter melhor

Carine Andrade


Designer brasileiro do Twitter fala de novidades e ainda conta como deve ser um bom site.

Vítor Lourenço só tem só 22 anos mas é um dos responsáveis pelo fenômeno da internet de 2009: o Twitter. O designer, nascido em Campinas, começou a fazer sites por brincadeira na escola, tentou cursar design gráfico, trabalhou na Globo.com e Yahoo! Agora está por trás de tudo o que você vê e faz no Twitter.
Em entrevista a GALILEU, Vitor anunciou algumas novidades que veremos em breve no site. E ainda responde às perguntas de alguns de nossos seguidores no Twitter. Acompanhe a entrevista abaixo.
Perguntas enviadas por seguidores do Twitter da Galileu: @PedroRoswell: Por que o Twitter não tem mais opções de design?Oferecemos 12 diferentes temas, e uma plataforma muito simples de usar onde os usuários podem criar suas próprias customizações. Aos poucos podemos introduzir novos visuais, mas o interessante mesmo é o trabalho que os usuários e desenvolvedores vêm fazendo. O site http://twitrounds.com/ oferece uma quantidade extensa de temas que você pode instalar em seu perfil com apenas um clique. @priscilavieira: Quando teremos o botão de retweet (RT)?O suporte oficial da funcionalidade de retweet deve aparecer em nosso site durante as próximas semanas. Além desta, diversas mudanças e novas funcionalidades estão por vir. Entre elas está o suporte à geolocalização, permitindo uma identificação exata do local de onde foi enviado cada tweet. @innyonline: Você acha que com as atualizações do Twitter, ele poderá ganhar aplicativos, álbuns e os demais apetrechos que detonaram o Orkut?Não entendo a afirmação “detonar” o Orkut. Ele é um produto de extremo sucesso no Brasil, e definitivamente existe um mercado extenso para estas funcionalidades. No Twitter temos uma meta de manter o serviço simples e fácil de utilizar e adicionar funcionalidades que realmente fazem sentido para os usuários. Entretanto, oferecemos uma API aberta que permite a desenvolvedores integrar o Twitter em sua plataforma e construir funcionalidades criativas para o serviço.
As perguntas feitas por GALILEU:
Você começou cedo fazendo design de sites. Como aprendeu e como passou a fazer sites grandes?Comecei desenvolvendo sites para uso pessoal. Em 2002, criei uma aplicação online para um grupo de amigos — uma espécie de Facebook — onde trocávamos mensagens e arquivos durante os últimos anos da escola. Depois de uma grande repercussão no colégio, ví que realmente poderia construir coisas interessantes. Sempre fui fascinado pela comunicação online. Meus esforços e pesquisas pessoais sempre estiveram ligados a este tema.
Em 2006, me inscrevi no curso de graduação em design gráfico do Istituto Europeo di Design. Como já estava no mercado, muitas oportunidades foram aparecendo ao longo do curso. Senti que seria mais proveitoso abandoná-lo ao receber o convite para trabalhar na Globo.com (isso aconteceu logo no final do primeiro semestre, quando tinha 18 anos). Foi uma das melhores decisões que tomei até hoje, pude aprender muito mais na prática trocando conhecimento com alguns dos melhores profissionais do mercado nacional.Após trabalhar dois anos na Globo.com, tive uma passagem pelo Yahoo! Brasil, onde trabalhei em um novo produto que será lançado em breve no mercado brasileiro.
O que você acha que é importante na hora de desenhar um site? Conhecer quem são os seus usuários é o princípio básico. Depois de entender suas motivações, procuro sempre projetar soluções para um problema específico e promover uma experiência satisfatória e prazerosa com pequenos detalhes, estéticos ou funcionais. Minha principal influência é o Design Suíço, no qual a função define a forma. Objetos que são projetados na Suíça são discretos, desenhados cuidadosamente (com atenção aos detalhes) e a forma é gerada de acordo com sua função. É um trabalho meticuloso.
Os sites brasileiros, em geral, parecem ser mais simples e com design mais limpo que os sites norte-americanos . Você concorda com isso? Design mais limpo não quer dizer necessariamente um design mais eficiente. Mesmo se analisarmos apenas a estética deles, percebemos que os principais sites brasileiros (em sua maioria portais) estão muito aquém dos produtos norte-americanos. A CNN.com possui uma interface e experiência de uso excelente, assim como o NYTimes.com, que vem fazendo um trabalho impressionante de produção de conteúdo interativo e exclusivo para a internet. Dificilmente encontramos algo assim no Brasil, onde muitos produtos jornalísticos ainda tratam seus sites como um grande veículo estático.
Como você foi chamado para redesenhar o Twitter? E há quanto tempo está lá?Eu recebi o contato do Evan Williams (CEO do Twitter) no ano passado. Ele visitou um software que desenvolvi, chamado FoodFeed. Evan se interessou pelo conceito da aplicação e pelo meu trabalho. Fechamos um contrato remoto e posteriormente viajei para São Francisco para acompanhar a fase final do projeto de redesign do Twitter (em setembro do ano passado). Fizemos os últimos ajustes e acompanhei um pouco do trabalho árduo dos engenheiros em tornar tudo funcional. Hoje trabalho full-time como Designer de Produto no Twitter. Minha rotina divide-se entre o design e implementação de novas funcionalidades e melhorias na experiência de uso do Twitter. Trabalhamos em um ambiente ágil com poucas interrupções e espaço para concentração e foco e, ao mesmo tempo, temos um ambiente bastante descontraído. O que você levou em consideração na hora de mudar o design do site?Procurei simplificar a experiência de uso do Twitter, aplicando alguns conceitos de simplicidade fundamentados por John Maeda: encolher, esconder e incorporar. Dess a maneira, o serviço não perdeu recursos, mas estes foram distribuídos e agrupados da melhor maneira. É o mesmo princípio de um canivete suíço: enquanto você utiliza um recurso, os outros ficam escondidos. Além disso, encolhi a navegação de conteúdo do usuário, unifiquei os itens em uma navegação lateral. Na estética, suavizei algumas linhas divisórias, retirei espaçamentos desnecessários e melhorei a tipografia e acabamento visual dos elementos para deixar a aplicação mais consistente, com a identidade visual do Twitter. É bom mencionar que isso ajudou a diminuir o número de requests (pedidos) feitos ao servidor, com uma maior otimização de código e introdução do AJAX para aprimorar o tempo de resposta na utilização do site.
Leia a matéria completa no site: http://www.revistagalileu.globo.com
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