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A pergunta que não quer calar
Carine Andrade

Sou assinante de uma revista semanal, há uns dois anos, e tomei a liberdade de analisar se o investimento financeiro tem valido a pena. Bem, devido ao tempo de assinatura, pago uma merreca mensal. Um valor simbólico que me dava o direito de receber, de graça, por seis meses, as revistas Galileu e Marie Claire, esta última nunca me dei ao trabalho de ler, diga-se de passagem. Mais o assunto da prosa não é este. A tal revista semanal, naquelas semanas que não tem muita notícia, vem cheia de anúncios. Nunca vi tanta propaganda, meu Deus! Uma revista com 148 páginas tem 53 delas só de anúncios dessas empresas que estão enroladas no Procon. Tudo bem que os veículos precisem sobreviver neste mercado cruel, pagar seus funcionários e gerar receita. O jornal que eu trabalho também é assim, mas será que o leitor merece ser bombardeado deste jeito? O que uma nobre estudante de jornalismo, que se sacrifica pra investir na leitura diária, tem haver com isso? Pagamos por notícia e não por anúncios, afinal de propaganda já basta a TV, concorda comigo?
Diante de todas essas prerrogativas acho que não vou renovar minha assinatura. O que me deixa mais triste não é nem a questão das propagandas, o que me fez tomar essa decisão não foi nem isso: me dá dor ver esse monte de revistas, velhas e empoeiradas no canto da mesa. Aquela pilha amontoada que terá um triste fim: o lixo! E o dinheiro do leitor, coitado, vai se esvaindo junto aquele saco de revistas velhas. Com a palavra as administradoras de cartões de crédito.
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